2017-09-26

Refletir sobre o nazismo, hoje

Um dos grandes historiadores da Alemanha nazi e da Shoah, Saul Friedländer, partilha as suas dúvidas sobre a imagem que criámos destes acontecimentos.

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Saul Friedländer, vencedor do Prémio Pulitzer e um dos maiores especialistas sobre o holocausto, reflete hoje sobre a Shoah, a Alemanha nazi, a memória, o medo e o preconceito no livro Reflexões sobre o nazismo, que a Sextante Editora publica a 28 de setembro. Depois de mais de 30 anos de debate e investigação sobre estes temas, Friedländer procura ainda perceber qual a posição dos historiadores quando observa esta questão, principalmente por, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ter havido tantos que entenderam que não se deveria aprofundar o assunto ou, pelo menos, que este deveria ser avaliado de modo atenuado para que a Alemanha renascesse sem traumas.

Ao longo de uma conversa com o jornalista e professor Stéphane Bou, o autor debruça-se também sobre representações da Shoah presentes nos filmes de Benigni, Visconti, Syberberg, Fassbinder ou Lanzmann, nos livros de Hannah Arendt, Raul Hilberg, Johnathan Littel, Anne Frank ou Primo Levi, em séries de televisão como Heimat ou Holocausto.


O LIVRO

Um dos mais importantes historiadores contemporâneos do nazismo e da Shoah, Saul Friedländer, Prémio Pulitzer 2008, deixa-nos aqui as suas reflexões sobre a memória do nazismo e os mais de trinta anos de debate público sobre este tema, numa série de encontros apaixonantes com Stéphane Bou, jornalista e professor, especialista de cinema. Desde o seu encontro com o almirante Dönitz, sucessor designado de Hitler, no começo dos anos 60, até à escrita de A Alemanha nazi e os Judeus, obra para a qual inventa uma nova forma de relato onde dá inteiramente a palavra às vítimas, passando pelas grandes controvérsias dos anos 80 com os historiadores alemães, Saul Friedländer nunca cessou de se interrogar sobre o modo de pensar o nazismo e o genocídio dos Judeus e de escrever uma história que esteja à medida desse fenómeno. Respondendo às perguntas de Stéphane Bou, ele evoca tanto Hannah Arendt como Raul Hilberg, tanto Fassbinder como Lanzmann, tanto a memória judaica como as memórias alemãs da Shoah. E não hesita em considerar-se moralista. Palavras fortes, de uma enorme liberdade, que nos ajudam a compreender um dos mais trágicos momentos da história da Humanidade.

O AUTOR

Saul Friedländer, nascido em Praga em 1932, historiador de nacionalidade israelita e norte-americana, é mundialmente reconhecido como um dos maiores especialistas do nazismo e do genocídio dos Judeus. É autor de inúmeras obras chave sobre estes temas, nomeadamente de Pio XII e o Terceiro Reich (1964) e da monumental A Alemanha nazi e os Judeus (Prémio Pulitzer, 2 volumes: Os anos da perseguição, 1997, e Os anos do extermínio, 2008).

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