2018-11-06

O Nicho da Vergonha, relato de uma resistência

Ismail Kadaré estreia-se na Sextante Editora com fábula histórica passada na Albânia do Império Otomano

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A 8 de novembro a Sextante Editora lança O Nicho da Vergonha, do escritor albanês Ismail Kadaré, o primeiro escritor a vencer o Man Booker International Prize pela sua carreira literária.

Publicado originalmente há 40 anos, este romance chega agora pela primeira vez a Portugal, trazendo-nos, através de um episódio sanguinário decorrido na primeira metade do século XIX, uma alegoria política da Albânia sob a ocupação do Império Otomano. Ismail Kadaré denuncia os mecanismos de opressão num país que sofre o «estado de exceção» – erradicação da língua e cultura nacionais –, e apresenta-nos, uma vez mais, as suas principais preocupações: identidade nacional, tirania e memória.

SINOPSE

O nicho da vergonha é, na grande praça da capital do Império Otomano, o local onde são expostas as cabeças dos inimigos derrotados ou dos grandes dignitários do estado caídos em desgraça. Em 1822, o nicho espera a cabeça de Ali Pachá de Tepelena, o rebelde que, na longínqua Albânia, declarou guerra ao sultão. Com mais de oitenta anos, Ali Pachá, que negociou com Napoleão e conheceu Byron, goza de uma reputação de invencibilidade, e as cabeças dos generais turcos que não conseguem vencê-lo sucedem-se no nicho da vergonha... Por se ter rebelado, a Albânia sofre o «estado de exceção»: supressão dos costumes, das tradições e da própria língua albanesa. Mas, ao mesmo tempo que Tundj Hata, o grande fornecedor do nicho da vergonha, percorre com a sua carroça negra os caminhos do Império, em busca de mais cabeças, os espiões do Palácio dos Sonhos relatam que num qualquer lugar, nos confins do estado otomano, num país que já não tem língua nem nome, alguém teve um sonho do qual depende talvez o destino de todo um povo.

O AUTOR

Ismail Kadaré nasceu em 1936, em Gjirokastra, no Sul da Albânia. Estudou em Tirana e em Moscovo no Instituto Gorky. Após a rutura do seu país com a União Soviética, em 1960, iniciou uma atividade jornalística e publicou os seus primeiros poemas. Entre 1970 e 1982 foi deputado da Assembleia Popular de Tirana, tendo em outubro de 1990 obtido asilo político em França. É o mais conhecido escritor albanês e as suas obras estão traduzidas em diversas línguas. De entre os seus livros mais importantes, destacam-se os romances: O General do Exército Morto (1963), Crónica da Cidade de Pedra (1971), Os Tambores da Chuva (1972), O Concerto (1988), e já editados pelas Publicações Dom Quixote, Abril Despedaçado (1978), adaptado ao cinema pelo realizador brasileiro Walter Salles, autor do filme Central do Brasil, O Palácio dos Sonhos (1981), A Pirâmide (1992), e seleção de textos Três Contos Fúnebres pelo Kosovo (1998). Em junho de 2005, Kadaré foi galardoado com o primeiro Man Booker International Prize pela sua carreira literária.

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